As Crônicas do Vento

Capítulo I – Uma Péssima Primeira Visão 

Se você esta lendo este livro deve estar procurando por: aventuras; um personagem com o qual se identifique; ou simplesmente uma distração, alguma coisa pra passar o tempo; ou qualquer outra coisa. Eu espero profundamente que você encontre o que esta procurando. Espero que goste de minhas aventuras e quem sabe nos tornemos amigos.

Para isso você deve ter algumas perguntas à serem respondidas, como ''Quem eu sou?'', ''O que eu sou?'', ''Onde eu moro?'', ''O que eu faço?'', ''Qual é a minha história?''. Algumas destas eu deva poder te responder, outras eu não sei se consigo, mas posso tentar.

Vamos lá. A primeira é simples, eu posso responder. Eu me chamo Edward, tenho 16 anos.
Bem, a segunda já é um pouco mais complicada, pelo menos até seis semanas atrás eu era um adolescente normal, de lá pra cá muitas coisas mudaram em minha vida, mas eu acho que ainda sou humano.
A terceira pergunta é um pouco arriscado eu te responder, mas se seremos amigos eu acho que posso confiar em você. Eu moro em San Francisco, EUA.
A quarta e fácil, eu basicamente estudo, mais de agora em diante eu consegui um passatempo muito arriscado.
Agora a quinta pergunta é a mais complicada pra responder...

Eu sou um adolescente normal, pelo menos eu era, até seis semanas atrás que foi o meu aniversário de dezesseis anos. Tenho 1,79 de altura, sou magro, pele clara, olhos castanhos, cabelo curto arrepiado cor de areia. Eu estudava, tinha amigos, fazia as coisas que eu gostava, tinha um grande amor não-correspondido. Era um adolescente normal igual a quase todos os outros. E sou dono de uma imaginação surpreendente, graças ao tempo que sempre gastei lendo livros de ficção.

Meus pais são professores. Dão aula na James Denman M.S, uma escola de 6ª a 8ª que é perto de casa. Minha mãe é prof. de História e meu pai de Matemática. Não costumam ficar muito em casa, a razão para o meu tempo livre.

Depois do meu aniversário algumas coisas mudaram, mas nem todas. Eu ainda estudo. Ainda tenho amigos, bem consegui alguns outros além dos que eu já tinha. Consegui inimigos, mas eu prefiro não falar deles agora, e uma parte complicada de se falar. Quase não tenho mais tempo pra ouvir as músicas de minha banda preferida. Minha rotina de adolescente normal foi quase completamente destruída.
Você deve estar se perguntando agora ''o quê foi que aconteceu comigo digno de tudo isso?''.
Bem, nada de mais, eu só descobri que tinha alguns poderes. Até que isso é muita coisa pra um adolescente não é?

No começo, bem ainda está no começo, mas nas duas primeiras semanas eu achei que eu era uma aberração, eu nunca tinha nada de especial, tirando o meu super desempenho em matemática e a minha ótima memória, mas isso não é super-poder nenhum, ou é?
Eu sempre fui muito tímido, não gosto de chamar atenção para mim, e de uma hora para a outra sou uma aberração. Foi um início difícil, mas depois de duas semanas comecei a gostar de meus poderes, não sabia porque eu os tinha, mas parei de tentar ignorar que eu os tinha, pois já que eu os tinha precisava saber usá-los e tinha um mal pressentimento de que a qualquer momento precisaria deles.
Então basicamente minha rotina se tornou acordar cedo e ir estudar, me esforçando para não fazer nada de errado e ser descoberto, e na parte da tarde eu me concentrava em meus poderes.
Minha vida não tinha nada de importante até o início de minha 8ª Série. Nela eu fiz amigos. Mas tudo começou a mudar mesmo a partir de setembro do ano passado, quando comecei o 1ºAno...

Meus amigos e eu fomos para a mesma escola. A Balboa H.S.
Erik, Nina, Rebecca, Jack e eu. Nós formávamos um grupo bem diverso.
Erik, tinha um cabelo espetado loiro, com olhos castanhos e pele clara. Era inteligente, assim como eu. Mantínhamos uma disputa saudável pelo topo nas notas, que sempre eram intercaladas, era até engraçado.
Engraçado mesmo era Jack. Sempre com seu senso de humor nada convencional que parecia ser contagioso. Moreno de cabelos e de pele, e de olhos castanhos. Conseguia tirar maldade de tudo que era falado.
Nina era muito bonita, olhos verdes, pele clara, cabelos negros até os ombros. Era a ''patricinha'' do nosso grupo, descolada e sempre na moda.
Becky era um pouco mais simples que Nina, era bem mais natural e realmente linda. Seus olhos castanho-claros eram muito expressivos, cabelos cor de areia longos e sua pele era levemente pálida.
Eramos realmente um grupo bem diversificado mas sempre estávamos de acordo com a maioria dos assuntos, e raramente discutíamos. Parecíamos irmãos.
Andávamos juntos pra baixo e pra cima. Mas eu sempre achei que só ficava segurando vela, Erik e Becky, Jack e Nina, parecia muito que se gostavam. Sempre trocando gentilezas e olhares amorosos, eu flagrava e eles desconversavam.
Eu não tinha ciúmes de meus amigos, eu até gostava de vê-los juntos e com amor.
Eu os havia conhecido alguns anos antes, o que me fazia conhece-los bem e ficar muito feliz por irmos para a mesma escola.
Nós cinco tínhamos horários diversos e semelhantes ao mesmo tempo nesse ano. Fiz uma coluna a mais no meu para anotar as semelhanças com meus amigos:

Matéria
Professor(a)
Matemática
Sra. Sosty
Nina/Erik
Espanhol
Sr. Gullp
Becky/Jack
Sala de Estudos
---------------
Becky/Nina/Erik/Jack
Almoço
---------------
Becky/Nina/Erik/Jack
Inglês
Sra. Tolse
------------------------
Física
Sr. Brend
Becky/Erik
Ed. Física
Sr. Fiwes
------------------------


No primeiro dia eu fiquei vendo todos entrarem na sala para ver se eu já conhecia alguem, porém, dentre todos que entraram na sala eu só consegui ver uma pessoa.

O mundo a minha volta se apagou e só ela ficou visível. Ela era diferente das outras pessoas, com seu brilho próprio. Parecia que existia um vento só para ela, o qual soprava levemente contra seus longos cabelos pretos, os fazendo voar de encontro a seu rosto. Sua pele clara era como papel para destacar seus meigos olhos escuros, como um poço onde eu caia cada vez mais. Sua personalidade era misteriosa.
Eu consegui descobrir seu nome o mais rápido que pude: Meggie... Era esse seu nome.
Eu me apaixonei por ela no primeiro instante em que a vi...
E, no instante seguinte, tive a consciência de que não a merecia.
Mas havia algo nela que me fazia ficar apreensivo. Eu tinha a sensação de que algo iria acontecer.
Nós tínhamos o mesmo horário, eu via ela em todas as aulas.
A primeira aula era de matemática, com a senhora Sosty, uma professora de uns quarenta anos, baixa e elegante. Não me assustou como à outros alunos. Matemática corria em meu sangue, era minha natureza. A pior parte foi que ela fez com que nos apresentássemos aos outros alunos, odeio isso.
Fora isso, ela passou uma revisão básica do que já havíamos aprendido. Resumindo, nada de mais.
A segunda aula era de espanhol. Apenas digamos que não é minha praia. Usei minha tática de ficar em silêncio o máximo possível, pra não chamar a atenção e atrair as perguntas, mas pelo jeito do professor Gullp, eu superaria isso rápido e aprenderia bastante.
Depois disso, sala de estudos. Um tempo com todos meus amigos. Não fizemos nada de importante nesse período, apenas alguns livros para ler. E enfim o almoço, para colocar todo o assunto de três aulas em dia.
Não demorou muito para o sinal ecoar pelo refeitório, agora eu teria Inglês.
Como você já deve ter percebido, humanas não é minha área, eu me saio consideravelmente bem, mas gosto mesmo é de exatas. Apesar de tudo isso, eu gostei bastante da sra. Tolse. Não que isso signifique muito, eu costumo gostar de meus professores, o que ajuda no aprendizado.
O sr. Brend, meu professor de Física, era do tipo ''amigo''. Nada muito forçado, nem muito exigente.
Meggie era uma pessoa diferente das outras para mim, parecia que ela estava acima de todas elas. Nessa aula, estávamos Erik, Becky e Eu bem próximos e Meggie não muito longe. Posso dizer que monopolizamos a direção das perguntas. Sempre um de nós respondia, e somente nós. Com isso, tenho quase certeza, começou a florescer uma pequena rivalidade entre Becky e Meggie.
O dia todo estava sendo um borrão. Passou acelerado. Quando me dei conta, estava caminhando e conversando com Meggie, em direção a uma construção de teto abaloado que era a quadra.
O professor Fiwes nos propôs apenas uma recreação, o que permitiu um pouco mais de conversa com Meggie. E assim seguiu os primeiros dias de aula, sem muitas novidades, apenas o começo de uma rotina.

Meggie era inteligente e aparentava ter algo especial.
Nos tornamos amigos, separadamente de meu grupo. Ela tinha suas próprias coisas para se preocupar e fazer. Sempre que possível eu arrumava uma maneira de ajudar. Essa é outra qualidade minha (ou defeito), eu não fico parado se eu posso ajudar um amigo.
Quanto mais próximo dela eu ficava mais apaixonado eu ficava, mas se eu ficasse distante parecia que tinham arrancado uma parte de mim.
E assim mais semanas se passaram.
Eu tive muitas experiencias diferentes nesse ano. Eu tinha 15 anos e algumas coisas estavam mudando na escola.
Uma destas coisas era o modo como muitos estavam agindo. Comportamento e atitudes dos adolescentes são estranhas. Mas tinha uma força maior agindo naquela escola.
Por alguns pressentimentos que estranhamente meus amigos e eu tivemos em comum resolvemos ficar atentos.
― Tem alguma coisa errada – disse Erik. – Por quê estão agindo assim?
― Sinceramente, eu não sei – eu disse. – Odeio essa sensação, precisamos descobri o que é e rápido.
― Parece até que foram abduzidos – Jack zombou, mas se podia ver em seu rosto que ele mesmo não via graça nenhuma nessa situação.
― Talvez isso é o ''normal'' da escola – Becky supôs.
― Tenho que concordar com esse ponto de vista – murmurou Nina. – Nós somos apenas calouros.
― Tudo bem, mas tem calouros agindo como os outros.
― Ficar debatendo possibilidades não vai ajudar. – Erik interveio. – Teremos que investigar.
Começamos a pensar no que devíamos fazer. Resolvemos analisar os fatos. Algo vinha acontecendo depois de setembro. E as informações que tínhamos eram muito poucas.

Os dias se passavam e nada. Sempre nos encontrávamos na sala de estudos, no almoço e depois das aulas para analisar o que havíamos descoberto.
Tudo que conseguimos foi que havia algumas festas, mas nada de suspeito nelas, nada que pudéssemos culpar pelo que acontecia.

Foi assim naquela tarde de novembro. Já tinham se passado dois meses que as coisas estranhas estavam acontecendo. E elas haviam piorado muito, passando apenas de comportamento inadequado em um dia para essa pessoa estar desaparecida no outro dia.
Estávamos a um mês investigando esse caso e tínhamos algumas descobertas interessantes e estávamos progredindo.
Depois de uma de nossas reuniões eu fui para casa. Era sexta-feira e meus pais estavam em casa, pois tinha tido ressesso escolar. Eles ainda eram muito ocupados, mas agora eu tinha amigos. Depois do jantar eu fui para meu quarto e deitei. Foi estranho eu ter apagado assim que deitei pois isso nunca acontece. Normalmente eu penso tanto antes de conseguir dormir, faço inúmeras suposições. E então eu tive um sonho estranho, um pouco acima da média porque meus sonhos sempre são estranhos.

Eu estava em um lugar muito escuro. Parecia que era um beco e ao longe podia ouvir-se sons altos que deveriam ser de uma festa. Foi quando eu vi um vulto, nada além de um vulto, se movimentando na escuridão. Eu o segui com o olhar a tempo de ver uma pessoa ser sugada pra dentro da sombra. Era uma pessoa alta e forte, mas me parecia um adolescente. Deduzi que deveria ser um jogador de futebol americano.
Eu acordei com um grito ecoando na cabeça. E junto com esse grito uma pergunta ficou me perturbando.
''Fora esse sonho apenas um sonho?''

Eu costumo ter pesadelos assim frequentemente mas havia algo de diferente nesse. Normalmente é algo acontecendo a Becky, Nina, Erick ou Jack. Ou, principalmente nesses últimos dois meses, algo acontecendo com Meggie.
Algumas vezes tenho pesadelos com pessoas que eu não conheço, mas esse foi diferente. Nele parecia que eu estava vendo as coisas acontecerem ao vivo.
Eu não gostei nem um pouco disso, tinha a sensação de que era o culpado pelos desaparecimento dos jovens da cidade. Mas por que eu, justo eu tinha que ter tido esse pesadelo? Devia ter uma ligação, entre mim e os desaparecimentos. Mas claro, eu era o garoto que tinha uma imaginação enorme. Quem acreditaria se eu dissesse isso?
Depois disso eu voltei a dormir, pelo menos a tentar dormir. O que não surtiu muito efeito. Minha mente estava raciocinando rápido demais para eu poder dormir.
Levantei da cama assim que o sol começou a aparecer pela janela do meu quarto. Era uma fria manhã de sábado e eu tentaria conciliar as pesquisas que teria que fazer ao trabalho na loja dos tios de Meggie.
Eu ajudo os tios dela todos os sábados. Eles tem uma pequena loja de flores, durante a semana não tem muito movimento, mas aos sábados as coisas são diferentes. Eu não ligo para os vinte e cinco dólares que eu ganho todos os sábados trabalhando lá. Quando eu soube que eles queriam um ajudante eu sai correndo para pegar a vaga e disse que não importava o que eles me pagariam. Foi mais um modo de me prender a realidade e refletir melhor, e para ficar perto de Meggie que também fica lá aos sábados.
É um lugar muito agradável de se estar, o que me faz pensar com mais clareza. Isso seria ótimo hoje, já que eu não tinha dormido quase nada.
Entre algumas entregas eu me informava de hipóteses com as quais vinham a minha cabeça.
Acabei descobrindo que havia tido um festa na Downtown Cone High School, uma escola bem famosa no centro.
Fiz as entregas com isso na cabeça. Será que havia sido uma visão?
Continuei trabalhando até que chegou alguns clientes conversando.
– Você ficou sabendo que mais um jovem desapareceu ontem? - Perguntou uma senhora.
– É mesmo. - Respondeu a outra. - Fiquei sabendo que não há nenhum vestígio dele em lugar nenhum.
– Quem quer que seja que esteja fazendo isso é muito cuidadoso com seus rastros.
– A polícia tem que prender esse serial killer o mais rápido possível.
– Mas dizem que eles estão sem informações suficientes para procurar o culpado.
Elas começaram a falar sobre as flores depois disso, mas eu já tinha escutado o que eu precisava.
Estava ansioso para falar com meus amigos, mas ficaria até quando eu pudesse perto de Meggie.
Depois que meu turno acabou, ajudei Meggie com algumas coisas. Assim que sai, corri para a casa de Erik, onde todos se reuniam nos fins de semana.

– Oi pessoal. Tenho algumas coisas para desabafar. - Já fui falando.
– O que foi? - Perguntou Becky.
– Você precisa respirar um pouco. Vou pegar um copo de água. - Erik saiu da sala e voltou com um copo com água na mão.
– Tome. O que foi que aconteceu para você vir correndo?
– Essa noite eu tive um pesadelo. - Comecei.
– I daí. - Jack me interrompeu. - Você sempre tem pesadelos.
– Daí que esse foi diferente, foi mais uma visão que um pesadelo.
– Explique-se. - Pediu Nina.
– Tudo bem. Vocês sabiam que teve uma festa ontem?
– Que festa? - Interrogou-me Becky. - Não sabemos de festa nenhuma.
– Teve uma festa ontem na Downtown H.S.. - Falei. - Após eles ganharem de seus maiores rivais, o time da Lincoln H.S..
Fiquei em silêncio para ver se eles estavam entendendo.
– Essa parte entendemos. - Erik quebrou o silêncio. - O que aconteceu depois.
– Aconteceu que o quarterback deles foi visto pela ultima vez saindo dessa festa.
– E então...? - Estimulou-me Jack.
– Então que isso foi por volta das 3hrs e 50minutos da manhã e eu acordei por volta das 4.
– O quê... o quê você sonhou exatamente? - Preocupou-se Becky.
– Parecia que eu estava num beco muito escuro, então eu via um vulto. - Fiz uma pausa. - De repente esse vulto se mexia e ia até uma pessoa, era mais como se fosse um sombra, que sugava a pessoa. A pessoa tinha um porte de jogador de futebol. Do beco também era possível escutar uma música como de uma festa.
Houve um grande silêncio após minha explicação. Ninguém ousou dizer uma palavra, todos haviam entendido o que eu queria explicar. Bem, na verdade eu não queria, e também não sabia por quê.
Todos ficamos em silêncio até que decidimos ir para nossas casas.